Lembre-se, alma cristã.

ChristandThorns

Lembre-se alma cristã, que você tem hoje, e todos os dias de sua vida:

Deus para glorificar, Jesus para imitar, a Virgem Maria e os santos para venerar, os Anjos para invocar, uma alma a salvar, um corpo a mortificar, pecados a expiar, virtudes a adquirir, o inferno para evitar, o céu a ganhar, a eternidade para se preparar, tempo para lucrar, vizinhos para edificar, o mundo a desprezar, demônios para combater, paixões para subjugar, a morte talvez a sofrer, e submeter-se a julgamento.

Agostinho de Hipona.

Nota: infelizmente, nunca consegui confirmar a autoria da frase acima, indicada por um blog do Tumblr como sendo de Santo Agostinho. Nem o contrário. Fica a advertência, em todo o caso.

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De São Bernardo de Claraval para seu sobrinho, Roberto.

“PORTANTO, levanta-te, soldado de Cristo, levanta-te, sacode a poeira, volta à batalha da qual fugistes, para lutar com maior brio depois de tua fuga, e teu triunfo será mais glorioso, porque Cristo tem muitos soldados que começaram a lutar com intrepidez, perseveraram e venceram, mas poucos desertores arrependidos se arrojaram de novo ao perigo que se esquivaram. Poucos foram os que puseram em fuga aos inimigos de quem fugiram. E como todo o extraordinário é precioso, me alegra que tu possas ser um desses que, quanto mais excepcionais, mais são gloriosos. Se, por outro lado, és muito tímido, porque temes quando não deves e não temes quando mais precisa fazê-lo? Por acaso pensas que te livrastes do poder dos inimigos porque fugistes da batalha? Pois saibas que o adversário te persegue mais alegremente se foges que se lhe fazes frente, ataca com mais audácia pelas costas, mas oferece menos resistência quando é enfrentado. Tu lanças as armas e dormes tranqüilo pela manhã precisamente na hora em que Cristo ressuscitou, e ignoras que desarmado perdes valor e és menos temível para os inimigos?”

Uma das raras traduções de São Bernardo, da lavra do professor Ricardo da Costa.

O Herege, por Gilbert Keith Chesterton.

Nota: Este artigo foi publicado em uma edição de 2014 da Gilbert Magazine, com o título original “The Heretic” e me calou profundamente. Talvez por estar naquela altura relendo A História das Grandes Heresias, do Belloc; talvez por que o Sínodo convocado por Papa Francisco para discutir como acolher na Igreja de Cristo o adultério e a sodomia fosse (e ainda é) o assunto do dia; talvez por estar me dando conta aos poucos que a história da Igreja poderia ser definida como a eterna luta pela salvação das almas e o combate às persistentes heresias que sempre tentaram simplificá-la, fato é que este artigo serviu para colocar muitas coisas na perspectiva correta. O que não consegui na época em que li Hereges, o livro do próprio Chesterton. Tanto assim o foi que pela primeira vez nasceu em mim a necessidade de traduzir um texto. Pois, Deus o sabe, ele bem poderá servir a outros, homens de reta razão e boa vontade, a perceberem a sutileza e astúcia com que a heresia se move rumo ao coração da Igreja, desde Simão o Mago até o combate final e com isso possam emendar suas vidas e seus erros. Nesta tarefa para mim hercúlea, de traduzir um texto do Chesterton, pedi ajuda ao amigo Pedro Erik, o bravo católico por trás do ThySelf, O Lord, que prontamente assentiu. O resultado segue abaixo, com minha eterna gratidão ao Pedro pelos nós que desatou. Se alguma parte do texto deixou a desejar, essa é de minha responsabilidade. Paz e bem.

Acima,

Acima, “A Vitória da Verdade Eucarística sobre a Heresia”, de Rubens.

O Herege
por Gilbert Keith Chesterton

Ao menos do ponto de vista humano, o teste e momento crítico da conversão é tão inteiramente racional e até mesmo racionalista, que somos tentados a ser impacientes com a falta de racionalidade com que é discutido por aí. É uma questão de saber se um certo mensageiro é ou não é o que ele diz ser.

Não é uma questão de saber se a mensagem é exatamente o que nós esperamos que ela seja; não é o caso em que não há nada nela que nos surpreenda, ou nada nela que nos intrigue, ou nada que nós mesmos alteraríamos. Não é uma questão de se deveríamos ter enviado outra mensagem; mas sim uma questão de saber quem enviou a mensagem.

Um homem me traz um bilhete ou um recado de meu amigo Robinson, solicitando que me encontre com ele no sexto poste em frente da casa com hibiscos numa determinada rua em Hungerford; e seria bem razoável para mim duvidar, em linhas gerais, se o mensageiro veio a pedido do meu amigo Robison afinal. Ele pode estar esmolando um drinque, ou me atraindo para um covil de ladrões, ou simplesmente aplicando em mim uma brincadeira de primeiro de abril. Mas não é razoável que eu acolha a mensagem como genuína, verdadeiramente vinda de meu amigo que quer um encontro e então dizer ao mensageiro “Você não acha que poderíamos marcar o encontro numa casa com girassóis ao invés de hibiscos, por que hibiscos não são minhas flores favoritas?”. Ou então “Vamos mudar do sexto para o sétimo poste por que sete é um número de sorte”. Ou ainda “Eu não imagino por que deveríamos ir à Hungerford, por isso da minha parte eu irei esperar por ele em Hampstead”.

Esta atitude não é razoável, por que não é relevante para a natureza da mensagem se a mensagem é a mais trivial ou a mais extraordinária. É lógico duvidar de uma mensagem ou dispensar um mensageiro, ou negar que o mensageiro seja um mensageiro de verdade. Mas não é lógico pedir ao mensageiro que altere sua mensagem.

Esta lógica básica, o cerne da questão, é tão familiar a nós que somos tentados à irritação, como disse, quando descobrimos o quão incomum se tornou este bom senso em nossos contemporâneos.

Mas há um ponto de vista mais sutil e compassivo a todo este assunto, e há variações e gradações de significado que podem ser encontrados neste silogismo tão simplificado. Mesmo entre os que rejeitam a mensagem, e entre os que rejeitam esdrúxulos fragmentos dela, há variados tipos e alguns mais estranhos e desafiadores. Mas apenas um deles deve ser selecionado, neste sentido prático, como um herege.

Eu não estou, obviamente, empregando nenhuma destas palavras no sentido autoritário da ciência teológica, em que elas poderiam ser relacionadas com muitos tópicos teológicos, mas eu as considero somente em sua variedade psicológica. E neste sentido prático, há um tipo de ser humano na história que talvez possa, com especial precisão, ser chamado herege. Ele não é, por exemplo, o mesmo tipo de um fanático; apesar de frequentemente o fanatismo ser o cadáver ou fóssil de uma heresia morta. Ele é alguma coisa diferente de um mero pagão não convertido; e ele é muito provavelmente o oposto do agnóstico ou do cético.

A coisa estranha sobre o herege é esta. Todos nós sabemos que a heresia na verdade é escolher e selecionar, assim como meu sujeito imaginário escolheu pedaços da carta do Sr. Robinson. Mas há uma qualidade sobre o escolher e selecionar dos hereges, em especial dos grandes heresiarcas, que nunca foi adequadamente percebida. O mistério de Maomé ou Lutero ou Calvino, ou de qualquer um dos grandes fundadores de sistemas heréticos, sempre foi este; primeiro, que eles aceitaram a ideia de um plano Divino como já estabelecido; e então eles duvidaram e depois negaram que o antigo sistema fosse divino; e terceiro e mais surpreendente de tudo, que eles nunca duvidaram por um instante da singular doutrina que eles escolheram crer em um sistema que eles recusaram, e nunca sequer pareceram desconfiar que qualquer um poderia um dia arriscar-se a negá-la.

Tal heresiarca foi sua própria testemunha para o fato de que um homem poderia negar mil coisas que foram aclamadas como Divinas. Mas ele parece não ter antecipado que alguém poderia negar alguma parte do que ele absteve-se de negar. Se ele preservou alguma relíquia dos efeitos da revolta e da destruição, ele parece crer que todos, até o fim do mundo, também irão sempre preservar a mesma parte em qualquer revolta ou destruição. Esta é a excentricidade que distingue o herege original do cético ou mesmo do crítico inconsistente. É o fanatismo com que ele afirma a coisa que ele não nega.

O seu lugar na parábola acima não é o do sujeito que recusa ou aceita o mensageiro, nem mesmo o do que realiza criativas modificações na mensagem. Ele é o sujeito que se fixa em um característica da história do mensageiro e a torna não apenas mais importante que o resto, mas mais importante que qualquer outra coisa. Ele irá se opor a todo o resto, desmentindo e blasfemando no último grau. Ele irá professar que se evite Hungerford como se lá fosse o inferno. Ele irá desfolhar todas os hibiscos que existem, como se fossem uma erva venenosa ou uma jardim de plantas peçonhentas. Mas o sexto poste não só será correto como será sagrado; uma lâmpada a guiar todos os nossos passos, uma luz a purificar todos os homens que venham ao mundo.

Isto não é um exagero, considerando a história da heresia. Por exemplo, os Puritanos tomaram o sétimo dia exatamente como o sexto poste. Em uma centena de outras maneiras eles se privam, confundem e descolorem quase todos os tipos de rituais ou pompa religiosa.

Através das sobras de seus preconceitos, milhares de homens modernos ainda são assombrados com aqueles pedaços de perfeitas más psicologia e teoria educacional; a noção de que todas as cerimônias são sem significado ou obstáculos ou perigosas para a pureza. Eles manobraram para reter isto mesmo sendo devotos extremos do Velho Testamento, que é pleno de cerimônias. Ainda assim eles se agarraram numa fanática obsessão pelo Sabbath. Que era um pedaço específico, não só da tradição Cristã, mas da peculiarmente complicada e ritualizada lei Judaica. E por fim eles criaram o Sabbath Escocês, que era consideravelmente mais sombrio que o Shabbat Judaico.

A coisa estranha é que nunca parece ter-lhes ocorrido que homens poderiam negar o Shabbat assim como eles negaram o Sacramento. Isso não é simplesmente uma questão sobre a enorme tradição do Sacramento na história da Cristandade. Ele surgiria de qualquer forma a partir da condição do Sabbath na história de Jesus de Nazaré; o mais simples e objetivo apelo na história no Novo Testamento.

Seria mais fácil realizar um ataque primitivo às coisas dos Evangelhos que eles guardaram do que às coisas que eles rejeitaram. Não há simplesmente qualquer evidência de que Jesus Cristo desaprovasse os rituais. Ele sempre se referia às celebrações no Templo, que eram muito ritualizadas, como todo o serviço religioso de Seu povo. Ele introduziu as ofertas comuns e tradicionais em Suas parábolas, e sempre em um bom sentido.

A única instituição Judaica em que Ele possa ser interpretado como contestador foi o Shabbat. Ninguém o acusou de denunciar os sacrifícios ou o candelabro de sete velas; as pessoas o acusaram de blasfemar contra o Shabbat. E ainda assim, por uma enorme perturbação artificial e invertida, estes hereges típicos manobraram para aterrorizar nações inteiras com uma idolatria cega do velho Sabbath judeu; quando eles próprios estavam assustados de acender uma vela e odiavam até as sombras, ou a mística repetição, de um sacrifício.

Este é apenas um exemplo histórico; há outras centenas na história. A questão é que o herege é um fanático a respeito de uma coisa, e um cético sobre centenas de outras coisas. E ainda assim ele sempre encontra a coisa pela qual ele é fanático no sistema a respeito do qual ele é um cético.

Não há incontáveis exemplos desta contradição apenas em épocas passadas; mas existe uma forma ainda mais contraditória desta contradição nos tempos modernos; a respeito da qual eu talvez me esforce por escrever alguma coisa em uma próxima ocasião. Mas talvez seja melhor concluir aqui sobre os erros religiosos mais evidentes e viris que o Puritanismo do século XVII tenha sido talvez o último.

O Calvinista estava pronto para matar três quartos da Cristandade e morrer pela última parte. Mas ao menos ele sabia que seu fragmento favorito da Cristandade era Cristão. Nos tempos modernos estamos cercados com uma nova e mais ignorante classe de hereges, que sabe tão pouca história que não conhece sequer sua própria história; ou a história de suas próprias ideias. No fundo, porém, eles agiram pelo mesmo estranho princípio, tanto em relação as coisas em que acreditam quanto as que não acreditam. Eles não sabem de onde veio seu credo; e eles certamente ignoram para onde suas descrenças irão em seguida. Mas elas são tão divertidas que exigem serem tratadas em separado.

Amizade, treva luminosa — inimizade, luz trevosa

O pai do Contra Impugnantes, Sidney Silveira, publicou um dos seus maiores textos, em minha modesta opinião, sobre o tema da Amizade. É uma bobagem copiar e colar o texto aqui, que está lá para ser lido por todos, como o resto de seus artigos; mas é esta a minha forma de agradecimento e reconhecimento por este e muitos outros artigos do filósofo carioca, que me são tão 

Amizade, treva luminosa — inimizade, luz trevosa

A Vieira, palavra vivente.
Sidney Silveira
Amizade é benevolência no mistério, pois sempre haverá, entre verdadeiros amigos, zonas de sombra a serem preenchidas pelo amor. Na amizade, a escolha do bem da pessoa amada é concomitante com a impossibilidade de que esta possa ser conhecida perfeitamente por quem a ama — dado o caráter impenetrável dos corações humanos. Noutras palavras, quando uma pessoa decide entrar em comunhão amigável com outra, a vontade preenche, numa aposta confiante, as lacunas que a inteligência não consegue suprir, e por este motivo entre amigos não existe o esfíngico “decifra-me, ou te devoro”, mas um bondoso “sirvo-te, porque te amo”. Pelo menos esta é a tendência, conforme a amizade vai depurando-se do que pode azedá-la: vícios e incompreensão.
Estamos falando, evidentemente, da amizade humana. Esta não é elucidação de um enigma, mas livre entrega ao insondável que há no outro, pelo menos neste mundo de escuridão entremeada de luz. Só poderia haver identidade absoluta entre conhecer e amar se a inteligência de quem ama fosse capaz de esgotar o que há de inteligível no ente amado, conhecê-lo de maneira perfeitíssima. Ocorre que nenhuma pessoa humana é capaz disso, portanto o amor sempre estará, para nós, permeado de camadas de mistério. Somente uma inteligência suma, que não pode ser outra senão a de Deus, ama vendo tudo; nós amamos vislumbrando algo.
Algo que damos por bastante, pois um coração de amigo sacia-se com facilidade.
Deus, a infinita grandeza em três Pessoas, como ensina o dogma católico, torna amáveis as coisas que ama; nós, a pequenez encarnada, como aponta a evidente contingência conformadora da nossa existência, nos tornamos amáveis ao amar. Em contrapartida, quem não sabe amar vai fazendo-se odiável, e a medida de tal ódio é um egolátrico querer, fora do direito moral. Apelemos à seguinte fórmula: a amizade divina dá sem pedir, e quando pede dá;[1] a amizade humana pede ao dar, e dando sempre sonega; a inimizade exige sem poder, e não podendo usurpa. Em síntese, o amor em quem não carece de nada é entrega pura; o amor em quem carece de muitas coisas é súplica, mesmo quando entrega; por sua vez, o desamor dissimula quando oferece, e cobra quando pede. Neste último caso, trata-se do áspero caule que traz em si o fermento da desesperança, do medo e da traição.
Ora, ninguém trai sem antes ter sido amigo. Sem dúvida, trata-se de uma amizade medíocre porque feita de desconfiança, que é uma espécie de medo desgovernado; feita da negação do mistério; feita da incapacidade de esperar o bem em meio aos males inerentes à condição humana — afinal de contas, atire a primeira pedra o amigo que, numa relação longa, pode dizer em sã consciência que nunca pecou contra a amizade, seja com palavras, seja com omissões, seja com pensamentos. Mas o caso dos traidores de todos os tempos é bem mais dramático: eles tentaram amar, mas não estavam limpos o suficiente para livrar-se do egoísmo, realidade espiritual insaciável por natureza. “Porque ele sabia qual era o que o ia entregar, e por isso disse: ‘Não estais todos limpos”. (Jo. XIII, 11) Amaram com os seus defeitos, mas estes eram graves o suficiente para matar a amizade.
Quem não percebe a diferença de gênero entre a negação de Pedro e a traição de Judas está impossibilitado de compreender o que aqui se diz.
Prova-se a amizade nas questões importantes, e não nas miudezas cotidianas, pois tantas são as falhas dos homens que se uma amizade fosse medida por coisinhas pequenas nos manteríamos todos em permanente estado de guerra. Neste ponto, estamos no núcleo da benevolência misteriosa a que se aludiu no começo deste breve texto.
Uma benevolência semelhante ao raio de trevas luminosas, que é como o magnífico Pseudo Dionísio Areopagita se referia a Deus.
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1- Só metaforicamente se pode dizer que Deus pede algo ao homem, porque qualquer pedido Seu é preceptivo, pedagógico e moralmente imperioso, a um só tempo. O “não” de qualquer criatura a um pedido do Criador é, na prática, escravizadora desobediência a um princípio. É negação autodestrutiva, recusa da realidade. Todos os “pedidos” de Deus, constantes ou não da Escritura, são dádivas — porque o Ser qualitativamente infinito, ao agir, não pode fazê-lo senão doando algo de si.

Pois muito bem: não havendo nada fora d’Ele, porque “Deus immediate est in omnibus per essentiam, praesentiam et potentiam”, pode-se dizer que a Sua ação é sempre um transbordar metafísico.

Link para o artigo original.

Frei Tomé de Jesus e o consolo da oração

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Quis finalmente o Senhor ir buscar consolação na oração ao Padre Eterno, em quem sabia que não havia de achar dispensação do que lhe mandava padecer, para que entendamos que não está a divina consolação em nos tirar Deus os trabalhos que nos dá, mas em humilde sujeição e conformidade à sua santa vontade: e em andar sempre por amor unidos a Ele e pendendo em tudo dEle.

Todo sou miserável, bom Jesus, porque ou Vos fujo quando me atribulais e não busco em Vós consolação; ou Vos busco apegado à minha vontade e amor próprio, que impede a obra que quereis fazer nesta alma. Livrai-me de mim, Deus meu, pois eu sou o que me mato e o que ponho todos os impedimentos à Vossa graça e à Vossa luz e às Vossas soberanas mercês: em tudo sou quem sou, curai-me Vós, Deus meu, em tudo como quem sois.

(Frei Tomé de Jesus, Trabalhos de Jesus, II, trabalho 26) Fonte aqui.

Oração ao Anjo da Guarda, São Carlos Borromeu

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Virgem Maria em apoio a São Carlos Borromeu. Johann Michael Rottmayr (1654-1730).

 

 

Meu bom Anjo da Guarda, não sei quando e de que modo irei morrer. É possível que eu seja levado de repente ou que, antes do meu último suspiro, eu me veja privado das minhas capacidades mentais. E há tantas coisas que eu quereria dizer a Deus, no limiar da Eternidade… Por isso hoje, com a plena liberdade da minha vontade, venho pedir, Anjo da minha guarda, que faleis por mim nesse temível momento. Direis, então, ao Senhor, meu bom Anjo da Guarda:
Que quero morrer na Santa Igreja Católica, Apostólica Romana, no seio da qual morreram todos os santos, depois de Jesus Cristo, e fora da qual não há salvação.
Que peço a graça de participar nos méritos infinitos do meu Redentor e que desejo morrer pousando meus lábios na Cruz que foi banhada com o Seu Sangue.
Que aborreço e detesto os meus pecados que ofenderam a Jesus e que, por amor a Ele, perdoo os meus inimigos, como eu próprio desejo ser perdoado.
Que aceito a minha morte como sendo da vontade de Deus e que, com toda a confiança, me entrego ao Seu amável e Sacratíssimo Coração, esperando em toda a sua misericórdia.
Que, no meu inexprimível desejo de ir para o Céu, me disponho a sofrer tudo quanto a Sua soberana Justiça haja por bem infligir-me.
Não recuseis, ó Santo Anjo da minha guarda, ser o meu intérprete junto de Deus e expor diante dEle que estes são os meus sentimentos e a minha vontade. Amém.
Encontrei esta oração aqui. Agradeço aos mantenedores do site.

PARÁBOLA DE CRUZADO

Parábola de Cruzado, de Miguel Ángel Etcheverrigaray

Este é o conto de um cruzado que cruzou Jerusalém
Porque os homens em sua terra morriam mal e viviam bem
E assim, pensando e meditando, com sua gordura e muita calma
Encontrou um dia o Reino de Deus, metido dentro de sua alma

Da sua alma e da dos outros, porque este audaz reino cristão
É comum entre as almas, o irmão com o irmão.
Este cruzado foi um cruzado contemporâneo,
E no lugar do pesado elmo, usou uma cabeleira sobre o crânio

Como era gordo (já se sabe), incomodava-lhe a armadura
E resolveu lutar sem ela, deixando solta sua gordura
Trocou a lança, que era incômoda, por tinta e uma pluma
Pois se recordava de outro gordo que à pluma de ave escreveu a Suma.

Todos eram céticos ao seu redor, todos acreditavam na ciência
E ele disse a todos que a Ciência, às vezes, é mera aparência.
Todos ao seu redor acreditavam no primata antepassado
E ele disse a todos que os macacos são costelas do outro lado.

E, se os outros respondiam com alusões pré-históricas,
Ele contestava que a Ciência não dá razões metafóricas.
E assim, pensando e meditando, nos libertou do animal,
Porque o homem, querido irmão, é um milagre celestial.

Parte de uma poesia feita para Chesterton pelo autor acima citado. Tradução de Agnon Fabiano. Fonte deste texto em https://www.facebook.com/chestertonnobrasil/posts/595231767210013

Penitência: doloroso caminho da sombra à luz

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Peço licença ao Sidney Silveira, o homem por trás do indispensável blog Contra Impugnantes, para indicar aqui o link para um dos seus artigos recentes, que trata da Penitência.

Nada como uma explicação reta para nos indicar o caminho. E assim, fortalecidos e sustentados, sigamos adiante.

O artigo pode ser lido aqui neste link.

Acima, a penitência de São Gerônimo, por Jacopo Pontormo, cerca de 1527.

É dele a sentença: “Quem deseja verdadeiramente o reino de Deus, faz penitência”

Liturgia diária e comentários

The Sermon on the Mount Carl Bloch, 1890

Sempre busquei uma boa fonte de comentários para a Liturgia Diária. Onde estariam reunidos os grandes comentários ao Evangelho, realizados pela Igreja de Cristo em seus dois mil anos de peregrinação por este mundo? Dos Padres da Igreja a São Bernardo de Claraval, de São Tomás de Aquino a Santo Afonso Ligório, onde estaria o site que reunisse de forma organizada este infinito manancial de interpretação, apologética e teologia das Sagradas Escrituras, as quais somos convidados a conhecer e estudar todos os dias?

Minha melhor descoberta, até agora, é o blog The Divine Lamp.

Descobri o site ontem, buscando auxílio para o desafio de compreender um pouco do Evangelho de hoje, 6 de novembro de 2013, que é São Lucas capítulo 14, 25-33. Eis os textos reunidos por eles para as leituras de hoje:

Comentário de São João Crisóstomo para Romanos 13, 8 a 10. Sobre o mesmo texto, comentários do Padre Piconio e Bispo Mac Evilly.

Para o Salmo 112, comentários de Santo Agostinho,outro extraído da patrística medieval e mais um do Papa Bento XVI.

Para o Evangelho de São Lucas, a Catena Aurea de São Tomás e outro de São Cirilo de Alexandria.

Não conheço nada mais completo e organizado que este blog até agora.